Terça-feira, Julho 14, 2009

Liberté, Égalité, Fraternité

O dia 14 de Julho é comemorado na França como um dos mais importantes feriados nacionais, celebrando a queda da Bastilha (prisão símbolo do absolutismo da época) em 1789. A data marcou o início da Revolução Francesa e trouxe os ideiais da nova nação que ali surgia: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Hoje quem visita Paris a procura da famosa prisão encontra uma estação de metrô batizada com o mesmo nome e uma praça com um monumento em forma de um enorme pilar com um anjo dourado no topo. E só.

É certo que por onde se ande em Paris, respira-se história, mas a pergunta é inevitável: o quanto da Revolução Francesa, de tudo o que ela representou, realmente vingou?

O quanto da liberdade, da igualdade e da fraternidade ainda há na França de hoje?


O desfile militar no Champs Elysée, os fogos de artifício, as crianças plantando uma árvore e os amigos se reunindo para comer e celebrar, tudo isso é feito para relembrar a todos a importância da Revolução e das lutas para a formação da identidade nacional tal qual ela é hoje, mas o que ficou disso tudo quando olhamos para a realidade em que hoje se encontra o país?

A identidade francesa hoje está em conflito, os problemas já são outros. Um bom filme lançado recentemente aborda a questão das diferenças étnicas, culturais e sociais que hoje vive o país. Entre Les Murs (Entre os Muros da Escola, em português) vale a pena ser visto.

A colcha de retalhos que atualmente é a França compõe-se de uma diversidade de povos e cultura muitas vezes em choque e num impasse. De qualquer forma, o país é um laboratório social vivo, fascinante e cheio de história. Seja lá o que ficou da Revolução, embora o que se veja hoje pareça ainda distante, vale a pena lembrar do significado do sonho de homens livres, iguais e fraternos.

Thiago Mattos.

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Segunda-feira, Julho 13, 2009

Dia do Rock

Para comemorar o aniversário do Rock'n'roll, vale a pena dar uma olhada neste post do blog Ribimbóca da Parafuseta. Como já dizia Mick Jagger, it's only rock'n'roll but I like it!

Thiago Mattos.

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Quinta-feira, Julho 09, 2009

Quem tem medo de Rupert Murdoch?

Rupert Murdoch está a frente de um império da mídia mundo afora. Seu conglomerado, News Corp., abrange 789 empresas baseadas em 52 países e controla quase tudo no mundo da comunicação e do entretenimento: jornais, revistas, satélites, redes de TV, estúdios de cinema, internet e até mesmo times norte-americanos de beisebol, hóquei e basquete.

Murdoch parece disposto a comprar o mundo. Ao que tudo indica, com tanto dinheiro e poder concentrado não deve ser muito difícil.

De acordo com acusações do jornal britânico The Guardian, o grupo de mídia de Murdoch, por trás dos tabloides News of The World e The Sun teria pago em segredo mais de 1 milhão de libras (cerca de R$ 3,2 milhões) para evitar processos judiciais nos quais seus jornalistas eram acusados de envolvimento no grampo de até 3.000 telefones de figuras públicas da política, do esporte e do entretenimento.

O jornal The Guardian afirma que os tabloides contratavam detetives particulares para invadir os celulares de celebridades e conseguir acesso a dados pessoais confidenciais, como por exemplo contas e extratos bancários.

Notícia quentíssima para quem pensa o mundo da mídia. Não se pode esquecer que estamos falando de empresas e de empresários que, muitas vezes, quanto mais poder, menos escrúpulos têm. É bom lembrar que Ted Turner, o dono da CNN e rival de Murdoch, uma vez lhe comparou a Hitler.


Mas afinal de contas, quem tem medo de Murdoch?


Thiago Mattos.

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As 500 maiores companhias do mundo

Cinco empresas brasileiras entraram na lista das 500 maiores companhias do mundo publicada pela revista Fortune.

Beneficiadas pelo alto preço do petróleo no ano passado, as empresas petrolíferas desbancaram as do setor bancário, atingidas mais duramente pela crise financeira global.

Também é de se notar o menor número de companhias norte-americanas e a presença de uma empresa chinesa, pela primeira vez entre as 10 primeiras da lista.


As empresas brasileiras que aparecem na lista são:
- Petrobrás (34º no ranking, com receitas de US$ 118,257 bilhões);
- Bradesco (na 148ª posição);
- Itaúsa (149º, e que agora é uma das controladoras e principal acionista do Itaú-Unibanco);
- Banco do Brasil (174º);
- A mineradora Vale na 205ª posição.


Segue a lista das 20 primeiras posições:

Empresa - País - Setor - Faturamento

  1. Royal Dutch Shell - Holanda - Petróleo & Gás - US$ 458,361 bilhões
  2. Exxon Mobil - Estados Unidos - Petróleo & Gás - US$ 442,851 bilhões
  3. Wal-Mart - Estados Unidos - Comércio - US$ 405,607 bilhões
  4. BP - Reino Unido - Petróleo & Gás - US$ 367,053 bilhões
  5. Chevron - Estados Unidos - Petróleo & Gás - US$ 263,159 bilhões
  6. Total - França - Petróleo & Gás - US$ 234,674 bilhões
  7. ConocoPhillips - Estados Unidos - Petróleo & Gás - US$ 230,764 bilhões
  8. ING - Holanda - Financeiro - US$ 226,577 bilhões
  9. Sinopec - China - Petróleo & Gás - US$ 207,814 bilhões
  10. Toyota - Japão - Automotivo - US$ 204,352 bilhões
  11. Japan Post Holdings - Japão - Transportes - US$ 198,7 bilhões
  12. General Eletric - Estados Unidos - Diversos - US$ 183,207 bilhões
  13. China National Petroleum - China - Petróleo & Gás - US$ 181,123 bilhões
  14. Volkswagen - Alemanha - Automotivo - US$ 166,579 bilhões
  15. State Grid - China - Energia elétrica - US$ 164,136 bilhões
  16. Dexia Group - Bélgica - Financeiro - US$ 161,269 bilhões
  17. ENI - Itália - Petróleo & Gás - US$ 159,348 bilhões
  18. General Motors - Estados Unidos - Automotivo - US$ 148,979 bilhões
  19. Ford - Estados Unidos - Automotivo - US$ 146,277 bilhões
  20. Allianz - Alemanha - Financeiro - US$ 142,395 bilhões
A Fortune é voltada para o mundo dos negócios e publica periodicamente listas como "As companhias mais admiradas", "As melhores companhias para trabalhar", entre outras. É uma boa maneira de sabermos onde boa parte do dinheiro do mundo se concentra.

Thiago Mattos.

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Quarta-feira, Julho 01, 2009

"Nada será como antes"

Há uma semana, enquanto os canais de TV exibiam imagens do hospital da UCLA e ainda apuravam a notícia, esperando a confirmação da morte de Michael Jackson, o site TMZ já dava o furo horas antes na Internet: o “Rei do Pop” estava morto por conta de uma parada cardíaca.

Dias antes, a estudante de filosofia Neda Agha-Soltan foi morta com um tiro enquanto assistia uma manifestação em Teerã, por conta das denúncias de fraudes nas últimas eleições presidenciais no Irã. Sua imagem agonizando foi parar na internet muito mais rápido que a notícia pudesse chegar à grande imprensa.

O mundo está mudando e a maneira de fazer notícia também; só não está vendo esta mudança quem não quer.

Nunca se viu tanto espaço e participação do público no processo de construir e modelar a notícia. Seja com os vídeos amadores que podem ser filmados através de qualquer celular (cena dos paramédicos chegando na casa de Jackson, ou da jovem iraniana agonizando ensanguentada no meio da rua), seja com a ajuda de redes sociais, blogs e sites cada vez mais citados pelas mídias tradicionais, que agora recebem as notícias praticamente prontas, tendo apenas o trabalho de apurar.

A participação da Internet na confecção da notícia tem sido e será cada vez mais presente, é inegável e inevitável. Mesmo depois de “fontes confiáveis” confirmarem as informações, a mídia mais convencional não abandona as mais alternativas.

Por exemplo, os blogs são um sintoma da Cauda Longa, do qual Chris Anderson já nos chamou a atenção, de um modelo onde a quantidade de nichos aparentemente infinitos alteram tudo o que é tradicional. O acesso à informação já não se dá mais de um modo passivo como era antes, numa mão única de cima para baixo, onde não podíamos interagir com os fatos.

Os blogueiros, embora não disponham de garantia da exatidão, dispõem de uma melhor máquina de correção de erros do que a mídia convencional. Além disso, milhares de blogueiros criam blogs especializados em um determinado assunto, com uma profundidade invejada por muitos jornalistas da mídia tradicional. Não bastasse tudo isso, a possibilidade dos comentários dos leitores os enriquecem ainda mais, permitindo mais informações sobre um determinado tópico ali discutido. Os milhares de blogs oferecem uma absurda quantidade de informações a custo praticamente zero e, na maioria dos casos, sem vender propaganda.

Tudo isso já deve ser o suficiente para que a mídia convencional (em especial, a TV e os jornais) reflita mais sobre sua atuação no mercado, para uma questão de sobrevivência. O fechamento de diversos jornais mundo afora não deixam mentir. Por que não incluir também em toda essa discussão os próprios cursos de jornalismo, além da polêmica questão da obrigatoriedade do diploma? Por que continuarmos os mesmos, já que nada será como antes?

Thiago Mattos.

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Quarta-feira, Junho 17, 2009

Do you speak English?



Joel Santana, o técnico de futebol que deixou o time do Flamengo para treinar a Seleção da África do Sul, tem feito bastante sucesso por lá.

Talvez seu inglês possa explicar um pouco:
"Mai equipe prei veri naice","Iraque e Sal de África prei semen" e "Ai révi control de mete". E por aí vai...

É bom lembrar que ele não aprendeu comigo, ok?

Thiago Mattos.

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Quarta-feira, Junho 10, 2009

As melhores cidades do mundo

Uma pesquisa lançada recentemente pela Economist Intelligence Unit analisou as melhores cidades do mundo para se viver.

Baseada em critérios como infraestrutura, saúde, cultura e educação, entre outros, a pesquisa pontuou 140 cidades ao redor do mundo, numa escala de 0 a 100. No topo do ranking estão:

- Vancouver (98 pontos), no Canadá;
- Viena (97,9), na Áustria;
- Melbourne (97,5), na Austrália;
- Toronto (97,2), também no Canadá.

Das dez melhores cidades do mundo para se viver (há quase nenhuma diferença de pontos entre as Top Ten), seis estão no Canadá ou na Austrália.

No último lugar está a cidade de Harare, no Zimbábue. As piores posições ficam na África e na Ásia por conta dos altos índices de violência, pobreza e instabilidade civil. Vale lembrar que a pesquisa não incluiu cidades em lugares como Afeganistão e Iraque.

De acordo com a pesquisa, as cidades de tamanho médio, em países desenvolvidos e com uma baixa densidade populacional, se beneficiam mais do que as grandes cidades inchadas com muita gente: há uma maior disponibilidade cultural/recreacional e menores índices de violência, além de menos problemas de infraestrutura.

Aqui no Brasil, a velha e estúpida rivalidade entre as capitais Rio e São Paulo mais uma vez caiu por terra. As duas cidades ficaram empatadas em 92o. lugar com 69,1 pontos, perdendo para outras cidades latino-americanas como Santiago del Chile (64a.) e Buenos Aires (61a.).

Apesar de São Paulo apresentar melhores índices no que tange à Saúde, Cultura e Ambiente (como assim, Ambiente?), o Rio ironicamente pontou mais em Educação e Infraestrutura. Vai lá entender esses critérios...

Thiago Mattos.

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Sexta-feira, Junho 05, 2009

O Ano da França no Brasil - Rio/Paris

O Ano da França no Brasil já não será mais lembrado da mesma forma por conta da tragédia com o voo AF 447 que ia do Rio de Janeiro a Paris no último Domingo a noite e desapareceu sem deixar rastros - até agora.

Dias depois do acontecido, que envolve mistério e angústia, todos arriscam uma hipótese para o que de fato ocorreu, mas pouco ainda se sabe. A mídia ganhou sua manchete do mês. Os programas de TV chamam todos os tipos de especialistas e os telejornais alcançam índices recordes de ibope.

A comoção é internacional: com todas as nacionalidades representadas naquele avião, a notícia (e mais ainda, a falta dela) afeta pessoas de todas as partes do mundo. Por aqui, estamos chocados, profundamente abalados sem entender nada do que realmente aconteceu naquela noite no meio do Oceano Atlântico.

Fala-se em causas metereológicas, em possíveis atentados, em problemas técnicos. Fala-se de um tudo. Falamos e queremos ouvir porque enquanto não pudermos entender o que levou o desaparecimento daquele voo da Air France não será possível nos aquietarmos.

Mas, apesar dessa terrível vontade de descobrir e compreender as causas de tudo, é preciso muito cuidado com o que dizem por aí. As informações desencontradas (inclusive saindo da boca de Ministro) podem nos fazer um mal maior do que a falta de informações.


Que o Ano da França no Brasil ainda termine com esperanças. É o que todos precisamos.

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Terça-feira, Abril 28, 2009

Gripe suína, Obama e Susan Boyle

A gripe suína veio com tudo e desbancou o que seria a pauta mais importante do mês: os 100 dias de Barack Obama no poder.

Numa cobertura que ronda a linha tênue que frequentemente separa a informação do sensacionalismo, a imprensa mundial tenta divulgar os fatos sem espalhar o pânico - difícil tarefa.

Vale destacar a contribuição de um tal de Niman, usuário do
Google Maps que diz ser "pesquisador de biomedicina em Pittsburgh", na Pensilvânia.

Niman está monitorando pelo Google Maps os casos e as aparições de gripe suína pelos quatro continentes - América do Sul e do Norte, Europa e Oceania.

A doença foi detectada primeiramente no México em meados de abril, espalhando-se rapidamente pelos Estados Unidos, Canadá, e logo chegando à Europa.
As vítimas fatais da variante do vírus H1N1 (que caracteriza a gripe suína), por enquanto, só foram confirmadas no México.

No Brasil, apesar de uma dúzia de pessoas estarem sendo monitoradas, nenhum caso ainda foi confirmado.

Enquanto isso, os 100 dias de Obama no poder tem chamado menos atenção que a Susan Boyle.


Thiago Mattos.


Imagem: Andy Marlette

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Sexta-feira, Abril 24, 2009

"A família é sagrada"

O mais novo escândalo político brasileiro vem da chamada "farra" das passagens aéreas a que nossos parlamentares clamam, choram, exigem ter por direito.

Após vir à tona um esquema de venda de bilhetes aéreos bancados com verba pública e repassados por agências de viagens, o que veio adiante surpreende ainda mais: as declarações e posicionamentos dos nossos eleitos da Câmara e do Senado.

Além da maneira como usam os bihetes (extendendo o privilégio a toda a parentela), a "revolta" causada nos políticos que se vêm ameaçados em seus privilégios é espantosa.

Os argumentos para a manutenção de um privilégio que desperdiça dinheiro público aos montes são os mais estapafúrdios possíveis e revelam a alma de quem está (ou quer entrar) para a vida política do país - os próprios brasileiros, que sempre querem uma boquinha.

Na semana passada, relembrando o episódio do deputado Fábio Farias (PMN-RN) que deu sete passagens aéreas a apresentadora de TV Adriane Galisteu, os jornalistas perguntaram ao primeiro-secretário do Senado Heráclito Fortes (DEM-PI):

"Pode dar passagem para namorada?". Ao que ele respondeu prontamente: "Se for bonita, pode" - e engoliram a piada e, de quebra, o sapo.

Inocêncio Oliveira (PR-PE), segundo-secretário da Câmara, já utilizou as passagens para viajar com a família a New York, Frankfurt, Milão e Miami. Acha tudo tão normal que fez uma declaração onde diz tudo sobre a maneira como pensam não só os políticos, mas qualquer brasileiro médio que estivesse ali em seu lugar:

"A família é sagrada".

Sentiu-se abençoado com sua "boa ação" e pouco foi questionado.

O que não percebemos - políticos ou eleitores - é que nem a família, nem a namorada ou amigos foram eleitos. Quem foi, além de contar com tantas regalias, já dispõe de um salário suficientemente bom para bancar os seus.

O episódio das passagens ainda não acabou por aí. Novas votações virão e novos sapos deveremos engolir. Se os brasileiros não mudarem a si mesmos, os políticos continuarão os mesmos.

Thiago Mattos.

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Terça-feira, Abril 14, 2009

As novas paredes de Phil Spector

Na última Segunda-feira (13), o produtor e compositor Phil Spector, 69, foi condenado em Los Angeles pelo assassinato da ex-atriz Lana Clarkson, 40. O crime, ocorrido há mais de 6 anos atrás em sua casa, pode levá-lo a 18 anos de prisão.

Conhecido no mundo da música por sua engenhosa técnica de gravação chamada de "Wall of Sound" ("parede de som", em inglês), Phil Spector começou a trabalhar nos anos 60, gravando e produzindo artistas como John Lennon (no álbum "Rock'n'roll"), George Harrison ("All Things Must Pass"), Ramones ("End Of A Century") e Beatles ("Let It Be"), entre outros.

Também compôs clássicos como "You've Lost That Lovin' Feeling" (gravado por The Righteous Brothers), "Deep River - Mountain High" (Ike e Tina Turner) e "Be My Baby" (The Ronettes) - foi casado com Ronnie Ronette, a cantora principal do grupo.

Phil Spector já era famoso por seus métodos não-convencionais de gravação. A lenda de que ele sempre portava uma arma em estúdio para amedrontar os músicos que errassem, foi confirmada na página 125 da auto-biografia recém-lançada por Eric Clapton:

"Trabalhar com Spector foi uma experiência e tanto. Eu o achava um cara realmente doce, talvez um pouco excêntrico, mas o rumor era de que ele carregava uma arma, então eu estava um pouco desconfiado."

Um julgamento anterior em 2007 já havia sido anulado por falta de unanimidade do júri. Desta vez, as cinco mulheres que testemunharam, acusaram Spector de já ter lhes apontado uma arma antes, o que foi determinante para sua condenação. Contudo, a defesa do produtor ainda pretende recorrer do veredicto.

Nota de curiosidade: Phil Spector usava no terno um bottom mostrando seu apoio ao Presidente Obama, que dizia: "Barack Obama Rocks!" (algo como "Barack Obama é demais!"). Ao que tudo indica, Phil Spector deve mesmo conhecer agora as paredes de concreto.

Thiago Mattos.

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Quarta-feira, Abril 08, 2009

Desafio Gelado

Número brasileiros imigrando para o Canadá não para de crescer e a internet tem se mostrado uma aliada cada vez mais presente no processo.

English version - click here (thesequitur.com)


Todos os anos, várias éspecies deixam seu habitat natural e migram em busca da sobrevivência. Como peixes, pássaros e outros animais, o bicho-homem também se desloca pelo planeta com a mesma desenvoltura.

É assim que atualmente centenas de brasileiros deixam seu país tropical rumo às terras geladas do Canadá, buscando melhores condições de vida. Organizam-se através de blogs, comunidades do Orkut e grupos de e-mail, onde discutem prós e contras do processo de imigração, trocando figurinhas sobre a vida como ela realmente é por lá, no frio do Canadá.

O país é um dos que mais incentivam trabalhadores qualificados dispostos a aprender uma nova língua (francês ou inglês) e um outro estilo de vida, pautado por um inverno rigoroso que pode chegar a temperaturas negativas na mesma proporção que chegam as positivas no Brasil.

Imigrantes de diversos países já se tornaram cidadãos canadenses – correspondendo a 18% da população, em uma das maiores proporções já medidas (Censo de 2001). Cinquenta mil novos imigrantes estão sendo esperados este ano na província francófona do Quebec, uma das que mais recebem brasileiros.

Diferentemente do que ocorre em outros países como os EUA, onde o green card é obtido através de uma loteria e a imigração é delicadamente tratada como um problema, no Canadá o processo é ágil e transparente.

Pontua critérios como idade, formação acadêmica e experiência profissional, conforme informa o Ministério da Imigração e das Comunidades Culturais do Quebec (MICC): “É possível imigrar para Quebec com um visto de Residência Permanente, que permite viver e trabalhar legalmente, com a quase totalidade dos direitos de todos os cidadãos canadenses”.

Tal oferta já fisgou cerca de 10 mil brasileiros durante os últimos dez anos; o Brasil é um dos cinco países das Américas que mais contam com residentes permanentes no Canadá. Situada na província de Ontário, parte anglófona do país, Toronto se destaca como a cidade que mais recebe imigrantes.
É onde mora Gean Oliveira, que imigrou em 2003 buscando uma melhor qualidade de vida. Gean, assim como muitos brasileiros residentes no Canadá, mantém um blog, onde compartilha sua experiência, auxiliando tanto os que estão indo quanto os que já estão lá.

“Muitos querem uma receita pronta para vir morar no Canadá e esquecem de fazer o dever de casa que é pesquisar”, adverte ele. Nesse sentido, a Internet tem sido uma grande aliada. É uma maneira que os imigrantes têm de conseguir dar e ter apoio entre si.

“Passei diversos meses na internet analisando o que as pessoas falavam e faziam”, confessa Ingrid Lins, que imigra para Montreal em 2011 com seu marido. “Parecia um reality show. Acompanhar os blogs era emocionante, porque eles falavam de coisas que provavelmente eu passaria.”

Mas é preciso selecionar o que se lê por aí, de acordo com Soraia Tandel, uma brasileira que foi para o Canadá fazer um doutorado em 1994 e não voltou mais. Hoje, Soraia trabalha para o governo de Quebec, no MICC, e viaja pela América Latina promovendo palestras e orientando os pretendentes a novos imigrantes.

“Acho que tem uma parte válida desses blogs, eles ajudam muito com dicas sobre habitação, integração. Quem já passou pela experiência vai abrindo um pouco o caminho para o novo imigrante, mas também têm muitas informações que não procedem, é preciso peneirar.”

Seja como for, o fato é que a Internet desempenha hoje um papel fundamental no processo, facilitando o contato com a família e os amigos e simplificando a busca pela informação necessária a quem vai imigrar. Tais ferramentas eram impensáveis para quem já passou pelo mesmo desafio há menos de uma década.

Assim, a aventura de ir viver em outro país ganha um ar mais racional e menos aventureiro sem, é claro, deixar de ser um desafio. De qualquer forma, está aí uma boa oportunidade que, até mesmo por já contar com tantos brasileiros, tem tudo para dar samba.

Thiago Mattos.

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Domingo, Abril 05, 2009

15 anos sem Kurt Cobain

Há 15 anos, morria Kurt Cobain. Sua morte, até hoje controversa, lhe alçava ao posto de ícone do movimento grunge que nascia nos anos 90.

O cantor-guitarrista-compositor do Nirvana havia supostamente se suicidado com um tiro na boca após ingerir uma grande quantidade de heroína.

Sua carta de suicídio cita um verso de
My My, Hey Hey, a famosa música de Neil Young, que se tornou um verdadeiro hino grunge: "It's better to burn out than to fade away", ou, numa tradução livre, "é melhor queimar do que se apagar aos poucos".

Assim, Kurt não estaria apenas desaparecendo ou indo embora; mais que isso, estaria explodindo, não podendo mais suportar a dor de viver sem estar em paz consigo mesmo.

As cifras milionárias da venda dos discos e o sucesso estrondoso alcançado pelo Nirvana, pode ter, de algum modo, trazido mais angústia que felicidade para Kurt. Desde Bleach (1989) até os discos póstumos, como o MTV Unplugged New York (1994), quanto mais o Nirvana fazia sucesso, mais culpa, dor e desespero - menos paixão - sentia Kurt.

"O fato é que eu não posso enganar vocês, ou qualquer um, simplesmente não é justo para mim nem para vocês. O pior crime que eu posso pensar seria o de enganar as pessoas ao fingir que estou me divertindo 100%", diz seu bilhete suicida.

Contudo, sua morte ainda gera inúmeras questões. Por exemplo: a falta de impressões digitais na arma usada para cometer o suicídio. Afinal de contas, por que um suicída teria esses cuidados? Ou ainda: como poderia Kurt atirar em si mesmo após ter ingerido tamanha quantidade de heroína?

Seja como for, todas as suspeitas até hoje recaem sobre a viúva, Courtney Love. Considerada por muitos uma espécie de Yono Ono do grunge, Courtney é apontada, entre outras coisas, como a responsável pelo recrudescimento do consumo de drogas ingerido por Kurt, pelo distanciamento dele com os amigos e, logicamente, também pelo fim da banda.

Após a morte de Kurt Cobain, os dois outros integrantes do Nirvana – Krist Novoselic e Dave Grohl – seguiram seus próprios caminhos. O ex-baixista do Nirvana é hoje um ativista político e mantém um blog sobre política, música e cultura. Já Dave Grohl tem feito muito sucesso como o líder dos Foo Fighters.

Seja como for, é um bom dia para lembrarmos que já houve uma banda como o Nirvana. É um bom dia para lembrarmos de um cara que faz muita falta no cenário musical de hoje. Então aproveita: escolha qualquer música da banda e ponha para tocar - bem alto!


Thiago Mattos.

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Quinta-feira, Abril 02, 2009

Os pontos altos do G-20


English version - click here

O encontro do G-20 nesta semana em Londres merece nossa atenção.


Além da aprovação do maior plano econômico da história para sair da crise, com a injeção de um trilhão de dólares em dinheiro e uma série de outras medidas que devem representar cinco trilhões de dólares até 2010, os pontos altos do encontro foram outros.

O abraço de Michele Obama na intocável rainha Elizabeth II no Palácio de Buckingham causou alvoroço por lá. A polêmica se deu por causa de um gesto com a mão feito pela rainha, como se fosse abraçar Obama, quando então a primeira-dama norte-americana quis retribuir o gesto.

Segundo aquela norma, é proibido tocar a rainha – embora a realeza possa tocar seus convidados. Times, Daily Telepgraph e outros veículos de comunicação ingleses se incomodaram com a quebra de protocolo. Mas alguém ainda se espanta com a imprensa britânica?

Outra cena que vai ficar marcada foi a gravada pela BBC, quando Barack Obama rasga a ceda de Lula antes do início da cúpula, dizendo: "Ele é o cara... Eu adoro esse cara! Ele é o político mais popular da Terra!", e emendando: "Isso é porque ele é boa pinta".


Ao final do encontro, Lula ainda tirou um sarro: "Você não acha chique o Brasil emprestar dinheiro para o FMI?".

Bem, se Obama ama Lula ou se Lula é o mais popular da Terra eu não sei, mas "boa pinta"?!? Cá entre nós, Mr. President, pegou pesado, hein?

Thiago Mattos.

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Quarta-feira, Abril 01, 2009

Primeiro de Abril

O tema da verdade versus mentira sempre interessou a muitos filósofos e poetas.

Mario Quintana escreveu que a mentira é uma verdade que esqueceu de acontecer; John Lennon cantava que tudo o que queria era a verdade.

Platão buscava a verdade essencial das coisas. A verdade platônica separou o mundo dos sentidos do mundo das ideias e fez escola entre os filósofos. Mais tarde, inaugurando a modernidade, Descartes estabelece que o ato de duvidar dos sentidos ou questionar verdades até então inquestionáveis – cogitar, por si só – já é uma prova da existência. Penso, logo existo.

O primeiro dia de Abril é lembrado em muitos países como o Dia da Mentira (Dia dos Tolos, em alguns lugares). Talvez seja um bom momento de refletir sobre o assunto. É possível vivermos somente de verdade? Afinal, qual a importância da mentira no mundo?

Em uma entrevista publicada recentemente no Estado de S. Paulo, o psiquiatra Flavio Gikovate pondera. Diferencia os dois tipos de mentiras e defende a ideia de que a verdade, quando maldosa e agressiva, nem sempre é a melhor opção.

Verdades e mentiras sempre fizeram parte da jornada humana, seja no cotidiano banal das vidas mais simples, seja nos grandes feitos da História. O tema é rico e universal.

O certo é que onde há homens, há dúvidas e há mentiras – Ah, e também há um pouco de verdade.

Thiago Mattos.

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Sexta-feira, Março 13, 2009

The Pirate Bay já fez história, agora está criando o futuro.

O julgamento dos quatro suecos responsáveis pelo site The Pirate Bay (TPB) já foi um sucesso e está por escrever mais um capítulo da história da internet no próximo mês de Abril.

Transmissões ao vivo pela internet, disputa por lugares no tribunal e milhões de mensagens de apoio via "tweets, e-mails, torrents, blog posts, artigos, traduções, etc." mostraram a popularidade e força do 102a. site mais visitado do mundo, segundo a Alexa.

Os camaradas do TPB estão sendo processados por grandes empresas de mídia como Warner Bros, MGM, 20th Century Fox e Sony BMG por facilitar a violação de direitos autorais. E isso se dá através de uma ferramenta elementar da internet: os links, que, dependendo do veredicto do dia 17 de Abril, podem vir a ser proibidos. Imaginem só o absurdo!

O TPB é um buscador de torrents que chega a ter mais de 25 milhões de pessoas conectadas simultaneamente. Seguindo essa lógica, até mesmo o partido socialista norueguês Rødt (Vermelho) lançou a campanha This Is What a Criminal Looks Like ("É assim que um criminoso se parece"), pedindo para que usuários do site postem suas fotos, mostrando seu apoio ao site.

Novidades do caso podem ser acompanhadas no blog Spectrial - mistura de "julgamento" e "espetáculo", em inglês - onde os suecos também defendem seus argumentos.

Ao que tudo indica, não haverá mais como lutar contra essa grande corrente que veio para ficar, mais conhecida como "a democratização da informação". Nós a apoiamos e isto basta para sua força.

A falta de criatividade dos grandes empresários da comunicação e mídia ainda podem lhes custar muito caro. Assim esperamos e que assim seja!


Thiago Mattos.
***
Assunto de interesse comum a todos que, de uma forma ou outra, usam a internet: o vídeo A História da Internet. Para a versão original, clique aqui (History Of The Internet).


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Sexta-feira, Março 06, 2009

Pretty... Pretty... Pretty good!

Apesar de não ser muito conhecida no Brasil, Curb Your Enthusiasm é uma das melhores séries de comédia de todos os tempos. Hilário. Brilhante.

Estrelado por Larry David, o seriado - exibido por um tempo pela HBO Brasil como Segura A Onda - mostra o co-criador de Seinfeld levando a vida de uma maneira, digamos assim, um tanto inábil para certas convenções sociais.

Larry questiona tudo e a todos, constrangendo de uma forma ou outra quem está por perto. E mesmo com sua crônica falta de sorte, que sempre o faz se desculpar no final, é o tipo do cara que cativa por simplesmente ser como muitos gostariam: natural e espontâneo.

A grande novidade agora é que finalmente os quatro astros de Seinfeld estarão juntos na 7a. temporada de Curb - ainda sem previsão para estreiar.

Após 11 anos afastados,
Jerry Seinfeld (o próprio), Julia Louis-Dreyfus (Elaine), Jason Alexander (George) e Michael Richards (Kramer) devem atuar como eles mesmos em vários episódios da nova temporada.

Seinfeld, fenômeno da TV que ficou conhecida como "a série sobre nada", retratava o dia-a-dia de quatro moradores de New York, trazendo uma linguagem nova e anárquica no jeito de fazer TV - e ao menos metade desse seu crédito deve ser reservado a Larry David.

Larry é considerado uma das cabeças mais criativas por trás de roteiros da TV dos EUA. Além disso, Curb já foi nomeado para mais de 20 Emmys - ganhando um - e cinco Globos de Ouro - ganhando também um.

Thiago Mattos.

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Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009

Parabéns, Darwin!

Comemoramos nesta semana o bicentenário do homem responsável por (tentar) mudar a maneira dos homens entenderem sua jornada na Terra, e também de entenderem o planeta em si. Mas apesar da idade, Charles Darwin está mais contemporâneo do que nunca.

O autor de A Origem das Espécies, um dos livros mais polêmicos já escritos, ainda sofre grande rejeição por conta de sua teoria da seleção natural, principalmente no que diz respeito à evolução dos seres humanos.

Alguns grupos religiosos defendem a criação do mundo por Deus e o começo da vida na Terra com Adão e Eva. Para tanto, baseam-se apenas nos relatos da Bíblia e negam o ancentral comum do qual todos viemos. Mesmo em pleno século XXI, execram Darwin como já execraram Galileu.

Não é difícil entender. Pesquisa feita na Inglaterra divulgada na semana passada, país de origem de Darwin, mostrou que metade das pessoas não acreditam na teoria da evolução ou tem dúvidas sobre ela. Isso sem mencionar as guerras travadas em escolas norte-americanas para o ensino criacionista em detrimento do evolucionista.

Por todo o mundo, assistimos o homem ainda comportando-se como um animal irracional, destruindo por prazer, crendo numa fé onde matar e morrer fazem parte de uma experiência divina, impondo e subjulgando outros em nome de ideias.

"Como nos salvar num mundo sem religião?" é o que alguns parecem se perguntar. Ainda que outros digam: "Um mundo com religião nunca esteve tão salvo assim".


Thiago Mattos.

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Terça-feira, Fevereiro 03, 2009

O partido sem alma

A vida política brasileira há muito não desperta interesse algum na maior parcela dos cidadãos. Partidos como o PMDB estão aí para nos ajudar a entender o por quê.


Desde 1964, esse partido essencialmente sem alma sintetiza de forma vistosa o que é e como é feita a política no Brasil. Não importa o governo, ideologias, nada; o PMDB sempre estará ao lado de quem manda. E com essa fórmula mágica acaba sempre mandando também.

A recente vitória do partido para a presidência da Câmara e do Senado Federal demostra mais uma vez o grau de hegemonia política que faz do PMDB o partido mais influente da atual política nacional.

Vamos lembrar que o partido agora ocupa as duas presidências do Legislativo; cinco ministérios e diversas diretorias e presidências de importantes estatais, no Executivo; além de ter eleito uma boa quantidade de governadores e prefeitos no último pleito.

Com a eleição de José Sarney (AP) e Michel Temer (SP), controlarão um orçamento de mais de R$ 6 bilhões e uma estrutura com milhares de funcionários, emissoras de rádios e TV, gráficas, informativos diários, enfim, mandarão e desmandarão num bom pedaço do que é o Brasil. Isso sem mencionar a influência política que vem à reboque de tudo isso.

Assim ficaria fácil questionar como pode alguém se interessar por um jogo onde as cartas já estão marcadas. Dito o óbvio, fica a indagação: essa política nojenta que nos deixa apáticos ou por sermos tão apáticos temos o que merecemos?

Muito de "por que o PMDB é o que é" deve-se a mesma razão - quiçá um reflexo - de "por que somos como somos". E aí fica fácil entender as regras políticas que temos - nós as louvamos e aceitamos - e também por que simplesmente estamos assistindo continuamente a mais do mesmo.

Cada um de nós está acostumado a pensar primeiro em si, sem saber o que é pensar coletivamente. As pequenas vantagens, o lixo no chão, nossa ética é especial. Por isso, só no Brasil poderia haver um partido político como o PMDB - o partido sem alma.

Thiago Mattos.

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Terça-feira, Janeiro 13, 2009

"Queime Depois De Ler"



Se você gostou de "Fargo" (1996) e "Onde os Fracos Não Têm Vez" (
No Country For Old Men, 2007), certamente vai adorar o novo filme dos irmãos Ethan e Joel Coen.

Estrelado por John Malkovich, George Clooney, Frances McDormand (Fargo) e Brad Pitt, "Queime Depois De Ler" (Burn After Reading, 2008) explora com um humor ímpar as possibilidades do acaso.

Inspirado na comédia de erros e amarrado pela obstinação de uma instrutora de academia que é capaz de tudo para endireitar seu corpo, o filme conta a história de um ex-agente da CIA que decide escrever um livro após pedir demissão, e vai se desenrolando com as consequências de informações secretas em mãos erradas.

Além de nonsense, chantagem, ironia e sarcasmo, dá para perceber ali um sinal dos tempos. Dos encontros fugazes e furtivos pela internet, da busca pelo corpo perfeito e moldável, da arrogância norte-americana e da tênue linha que há em nós separando a loucura da lucidez. Por todas as referências, "Queime Depois De Ler" fica no mesmo patamar que "Rebobine, Por Favor" (Be Kind, Rewind, 2008).

As atuações são outro ponto forte da trama. Brad Pitt surpreende no papel de um instrutor de academia bocó que só pensa em malhar o dia inteiro; Richard Jenkins (Six Feet Under) rouba a cena, apesar de seu pouquíssimo tempo na tela.

Óbvia sátira aos filmes de espionagem, "Queime Depois De Ler" merece ser assistido. De preferência por download. Ah, e queimado num DVD.

Thiago Mattos.

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Segunda-feira, Janeiro 05, 2009

A canção do senhor da guerra












"Existe alguém
esperando por você

Que vai comprar a sua juventude

E convencê-lo a vencer...













Mais uma guerra sem razão


E já são tantas as crianças com armas na mão


Mas explicam novamente que a guerra gera empregos

E aumenta a produção...













Uma guerra sempre aumenta a tecnologia

Mesmo sendo guerra santa, quente, morna ou fria

Pra que exportar comida,

Se as armas dão mais lucros na exportação?






















Existe alguém
que está contando com você

Pra lutar em seu lugar

Já que nessa guerra não é ele quem vai morrer...

E quando longe de casa, ferido e com frio

O inimigo você espera

Ele estará com outros velhos

Inventando novos jogos de guerra...













Que belíssimas cenas de destruição

Não teremos mais problemas
com a superpopulação

Veja que uniforme lindo fizemos pra você

Lembre-se sempre que Deus está do lado de quem vai vencer


O senhor da guerra

Não gosta de crianças

O senhor da guerra

Não gosta de crianças

O senhor da guerra

Não gosta de crianças

O senhor da guerra

Não gosta de crianças."


Letra e música: Renato Russo.

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